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FUNDAMENTOSNível 1 6 min

Artigos Definidos e Indefinidos

Quando usar a, an, the — e o caso em que o inglês não usa artigo nenhum.

Em português você usa artigo o tempo inteiro sem pensar: "o carro", "uma ideia", "as chaves". O inglês faz o mesmo trabalho com três palavrinhas — a, an e the — e nenhuma delas muda para feminino nem para plural. Onde o português precisa de oito formas (o, a, os, as, um, uma, uns, umas), o inglês resolve com três. Você já começa ganhando.

A dificuldade mora em dois pontos. Primeiro: a escolha entre "a" e "an" depende do som, não da letra escrita — e é aí que palavras como "hour" e "university" derrubam muita gente. Segundo, e mais traiçoeiro: existem frases em que o inglês não usa artigo nenhum, exatamente onde o português usa. Vamos desarmar os dois.

A e an: apresentando algo pela primeira vez

Use a ou an (um, uma) para falar de algo genérico ou que entra na conversa pela primeira vez — quando a outra pessoa ainda não sabe de qual exatamente você está falando. I need a pen (preciso de uma caneta): qualquer caneta serve.

a + som de consoante → a car, a book, a dog
an + som de vogal → an apple, an idea, an egg

O "an" existe por um motivo puramente prático: facilitar a pronúncia. Tente dizer "a apple" em voz alta — as duas vogais se atropelam. O "n" entra ali como uma ponte entre os sons. Nada além disso.

O pulo do gato: vale o SOM, não a letra.

a university (o "u" aqui soa como "iú" — som de consoante)

an hour (o "h" é mudo; a palavra começa direto no som de vogal)

a European country ("European" também começa com som de "iú")

an MBA (a letra M se pronuncia "ém" — som de vogal)

Um detalhe que o português esconde de você: profissões em inglês exigem a/an. A gente diz "ela é médica", sem artigo, e por isso o brasileiro solta "she is doctor". Em inglês, é sempre She is a doctor, I am an engineer. Sem exceção.

E um limite: a/an só combina com coisas contáveis no singular. Não existe "a water" nem "a money" — essas palavras seguem outra lógica, que você encontra em substantivos contáveis e incontáveis.

The: quando os dois sabem de qual você fala

O the (o, a, os, as) entra quando a coisa é específica — você sabe qual é, e quem escuta também. E ele é de uma preguiça admirável: a mesma forma serve para masculino, feminino, singular e plural. The car, the cars, the house, the houses.

Primeira menção vs. depois:

I bought a car. The car is red. (Comprei um carro — qualquer um. O carro é vermelho — aquele que acabei de mencionar.)

Coisas únicas no contexto:

the sun, the moon, the internet — só existe um, não há dúvida de qual é. O mesmo vale para the kitchen ou the boss: a cozinha da sua casa, o chefe do seu trabalho.

Repare no jogo entre os dois: o "a" apresenta, o "the" retoma. É a mesma dupla do português — "um carro... o carro" — então nesse ponto o seu instinto joga a favor.

O artigo zero: onde o português te engana

Agora o ponto que de fato separa os dois idiomas. Quando você fala de algo em geral — todos os cachorros, o café como bebida, a vida como conceito — o inglês não usa artigo nenhum. O substantivo vai sozinho, no plural ou na forma incontável.

I like dogs. (cachorros em geral)
Coffee is good. (café em geral)
I play soccer. (esportes nunca levam artigo)
Life is beautiful. (a vida como conceito)

O teste é simples: se der para completar a frase com "em geral", o artigo some. "I like dogs... em geral" — sem the. Se for um grupo específico, o the volta: I like the dogs in this park (os cachorros deste parque, não todos os do mundo).

Essa regra do "nada" também vale para nomes de pessoas, cidades e da maioria dos países. Em português a gente diz "o Brasil", "a Maria" — em inglês é Brazil e Maria, secos: I live in Brazil. Maria is my friend. As poucas exceções são nomes no plural ou coletivos, como the United States e the Netherlands.

A pegadinha brasileira

O português adora artigo e coloca um até onde o inglês proíbe — e, para completar, esconde o artigo justamente onde o inglês exige (nas profissões). O resultado são os erros que entregam o brasileiro na hora:

  • Errado: I like the dogs.  →  Certo: I like dogs. (quando a ideia é "em geral")
  • Errado: The life is beautiful.  →  Certo: Life is beautiful.
  • Errado: I live in the Brazil.  →  Certo: I live in Brazil.
  • Errado: She is doctor.  →  Certo: She is a doctor.

Teste rápido

Sem olhar as seções acima: a, an, the ou nada?

1. Complete: I need ___ umbrella. ver resposta

an — "umbrella" começa com som de vogal, então o "n" entra para facilitar a pronúncia: I need an umbrella.

2. Complete: She works at ___ university. ver resposta

a — a letra U engana: "university" começa com som de "iú", que conta como consoante. She works at a university.

3. Complete: ___ moon is beautiful tonight. ver resposta

The — a lua é única: você e o ouvinte sabem exatamente de qual se trata. The moon is beautiful tonight.

4. Corrija o erro: I love the music. ver resposta

I love music — música em geral vai sem artigo; "the music" seria uma música específica, como "the music in this movie".

Resumo

  • a/an = primeira menção ou algo genérico; the = algo específico que os dois conhecem.
  • Entre a e an, quem decide é o som: a university, an hour.
  • Generalizações vão sem artigo: I like dogs. Coffee is good.
  • Nomes de pessoas e da maioria dos países também: Maria is my friend. I live in Brazil.
  • Profissões exigem a/an: She is a doctor.

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