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ESTRUTURASNível 2 6 min

Can e Can't (Poder e Saber)

Um só verbo para "saber" e "poder": habilidade, permissão e pedidos com can.

Em português, a gente usa dois verbos diferentes para coisas parecidas: poder (ter permissão ou possibilidade) e saber (ter uma habilidade). "Eu sei nadar" é diferente de "Eu posso nadar hoje". O inglês, por outro lado, resolve os dois casos com uma palavrinha só: can.

Pense no can como uma chave-mestra. Ele abre a porta da habilidade, da permissão e da possibilidade. E o melhor: ele quase não muda de forma. Depois de aprender o padrão, você monta frases sobre o que sabe fazer, o que pode fazer e o que é possível fazer sem nenhum esforço extra.

Os três sentidos de can

Uma mesma palavra, três usos no dia a dia. Repare que a tradução em português muda, mas o inglês continua igual:

habilidade → I can swim. (Eu sei nadar.)
permissão → You can go now. (Você pode ir agora.)
possibilidade → It can get very cold here. (Pode fazer muito frio aqui.)

Uma nota fina sobre a possibilidade: can fala do que é possível em geral ("aqui pode fazer frio" — é do clima do lugar). Para a chance de algo acontecer numa ocasião específica ("pode chover hoje à tarde"), o inglês prefere may ou might — irmãos do can que você vai conhecer melhor no artigo de verbos modais.

E tem um quarto uso escondido que os livros esquecem: com verbos de percepção, o inglês usa can onde o português usa "estar vendo/ouvindo/sentindo". I can see the sea from my window. (Estou vendo o mar da minha janela.) I can't hear you. (Não estou te ouvindo.) Nada de "I am seeing you" na chamada de vídeo — see e hear são verbos de estado e recusam o -ing do Present Continuous; quem resolve a cena é o can.

A estrutura: can + verbo no infinitivo (sem "to")

Aqui mora a maior facilidade do can: ele é um verbo modal, então nunca ganha aquele -s na terceira pessoa, e o verbo que vem depois fica na forma base, sem o "to".

O molde:

sujeito + can + verbo base. Exemplos: She can cook. (Ela sabe cozinhar.) e They can help. (Eles podem ajudar.) Note que não existe "She cans" nem "She can to cook".

Negativa e pergunta: o can se vira sozinho

Para negar, use can't (a forma completa é cannot, escrita tudo junto). Para perguntar, é só jogar o can para o começo da frase:

negativa → I can't drive. (Eu não sei dirigir.)
pergunta → Can you swim? (Você sabe nadar?)
resposta curta → Yes, I can. / No, I can't. (Sei. / Não sei.)

Repare no que NÃO apareceu: do e does. Diferente do Present Simple, que chama um auxiliar para negar e perguntar, o can é o próprio auxiliar — ele nega com not e pula para o início da pergunta sozinho. "Do you can swim?" é o erro clássico de quem acabou de aprender o do/does e quer usá-lo em tudo.

O can't também é o "não pode" das placas e das regras: You can't park here. (Você não pode estacionar aqui.) You can't smoke in the restaurant. (Não pode fumar no restaurante.)

Pedidos e permissão: o can social

Boa parte da vida em inglês se resolve com duas perguntinhas. Can I...? pede permissão: Can I open the window? (Posso abrir a janela?) Can I ask you something? (Posso te perguntar uma coisa?) E Can you...? pede um favor: Can you help me? (Você pode me ajudar?) Can you repeat that, please? (Pode repetir, por favor?)

Esse par cobre até as cenas de loja e restaurante que assustam iniciante: o atendente pergunta Can I help you? (Posso ajudar?), e você responde pedindo com Can I have...?: Can I have a coffee, please? (Me vê um café, por favor?) Esse "Can I have" é o jeito padrão de pedir qualquer coisa em balcão — sozinho, ele já paga o artigo.

Quando quiser um degrau extra de educação — com desconhecidos, no trabalho —, troque por could: Could you help me? soa como o nosso "você poderia me ajudar?". Mesma estrutura, só mais polido. O could, aliás, também funciona como o passado do can: I could swim when I was five. (Eu sabia nadar aos cinco anos.)

A pegadinha brasileira

O erro campeão é colocar o "to" depois do can, por influência do português "poder falar", "saber nadar". Em inglês, o verbo vem pelado: é I can speak English e nunca "I can to speak English". O segundo tropeço é a pronúncia: no dia a dia, can costuma soar fraquinho ("kn"), enquanto can't vem forte e alongado. Se você não ouvir o "t" no fim, preste atenção na força da vogal para não confundir "eu consigo" com "eu não consigo".

Errado: I can to speak English.  →  Certo: I can speak English.

Teste rápido

Sem olhar as seções acima: quatro frases, quatro chances de escorregar.

1. Traduza: "Ela sabe cozinhar muito bem." ver resposta

She can cook very well. — o can cobre o nosso "saber fazer"; nada de "she knows cook".

2. Corrija o erro: I can to speak a little English. ver resposta

I can speak a little English. — depois do can, o verbo vem na forma base, sem "to".

3. Corrija o erro: Do you can drive? ver resposta

Can you drive? — can não usa do/does; ele mesmo vai para o início da pergunta.

4. Escolha: He (cans / can) play the guitar. ver resposta

can — modal não ganha -s nem muda de forma: He can play the guitar.

Resumo

  • Can cobre habilidade (saber), permissão e possibilidade geral com uma palavra só.
  • Sempre can + verbo na forma base, sem "to" e sem "-s": He can go.
  • Negativa é can't (ou cannot); pergunta é levar o can para o início — sem do/does.
  • Can I...? pede permissão; Can you...? pede favor; could deixa tudo mais educado.
  • No ouvido: can soa fraco ("kn"); can't soa forte e alongado.

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TEMPOS VERBAISPresent Simple 6 minTEMPOS VERBAISPresent Continuous 6 minVOCABULÁRIOAdvérbios de Frequência 6 min

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