Toda frase com "se" é uma pequena máquina de imaginar o mundo: "se chover, eu fico em casa", "se você aquece a água, ela ferve", "se eu ganhasse na loteria...". Em inglês, essas frases são as conditionals, e todas têm duas metades — a condição, com if, e o resultado. Até aqui, nada de novo para você.
A diferença é que o inglês usa os tempos verbais para marcar o quanto aquilo é real. Fato garantido, futuro provável e pura fantasia pedem combinações diferentes — e é aí que o brasileiro escorrega, porque em português a gente monta essas frases no automático, sem nunca ter pensado na regra. A boa notícia: são só três combinações, organizadas numa régua que vai do certo ao imaginário. Vamos percorrer a régua de ponta a ponta.
Zero Conditional: o que acontece sempre
O primeiro degrau da régua é o mais firme: verdades que não dependem de opinião. Leis da natureza, fatos, regras da casa, seus hábitos automáticos. Se a condição acontece, o resultado vem junto — hoje, amanhã e sempre. Por isso os dois lados ficam no presente:
If you heat water, it boils. (Se você aquece a água, ela ferve.)
Um truque para reconhecer o tipo: na Zero Conditional, dá para trocar o if por when sem mudar o sentido — When I drink coffee at night, I can't sleep. Se a troca funciona, você está diante de um fato geral, não de uma possibilidade.
First Conditional: o futuro que pode muito bem acontecer
Subindo um degrau, saímos do "sempre" e entramos no "provavelmente". A First Conditional fala de uma situação futura real e possível: o plano para o fim de semana, a promessa, o aviso, a ameaça de mãe. O resultado é território do will.
If it rains tomorrow, I will stay home. (Se chover amanhã, eu fico em casa.)
Repare numa coisa: a condição fala do futuro, mas o verbo fica no presente — rains, e não will rain. O português faz parecido com o futuro do subjuntivo ("se chover", "se você quiser"), então confie no ouvido: depois do if, verbo simples; o will mora na outra metade. E o resultado nem sempre precisa do will — cabe can, might ou até um imperativo: If you're tired, take a break (se você estiver cansado, faça uma pausa).
Second Conditional: o mundo como ele não é
O último degrau é o da imaginação. A Second Conditional fala de situações irreais ou muito improváveis no presente e no futuro: o "se eu fosse", o "se eu tivesse", o sonho acordado no meio do expediente.
If I won the lottery, I would travel the world. (Se eu ganhasse na loteria, eu viajaria o mundo.)
O verbo depois do if está no passado (won), mas ninguém aqui está falando de ontem. Esse "passado" não fala de tempo — fala de distância da realidade. É o mesmo truque que o inglês usa em wish e if only: quanto mais irreal a ideia, mais o verbo recua.
Com o verbo to be, o inglês cuidadoso usa were para todas as pessoas. É daí que sai a fórmula pronta mais útil desse tipo, o jeito clássico de dar conselho: If I were you, I would talk to her. (Se eu fosse você, eu falaria com ela.)
First ou Second? Quem decide é você
Aqui está o pulo do gato: muitas vezes as duas formas são gramaticalmente corretas, e a escolha revela como você enxerga a situação. Quem joga na loteria toda semana diz If I win, I will buy a house — para essa pessoa é possibilidade real. Quem nem aposta diz If I won, I would buy a house — puro devaneio. A gramática é a mesma; a atitude é que muda.
A mesma cena nos três degraus:
Zero: If you drop it, it breaks. (fato sempre verdadeiro)
First: If you drop it, it will break. (aviso real sobre o futuro)
Second: If you dropped it, it would break. (situação hipotética)
Você deve estar sentindo que falta um degrau: a hipótese sobre o passado — "se eu tivesse estudado, teria passado". Esse é o território da Third Conditional; e quando a frase cruza duas épocas de uma vez, entram as mixed conditionals. Uma coisa de cada vez: com os três tipos daqui você já cobre a maior parte das conversas.
A pegadinha brasileira
"Se chover" soa como futuro em português, e o instinto manda marcar esse futuro em inglês: "If it will rain...". Resista. A regra de ouro das conditionals é que o will nunca vem logo depois do if — ele mora na outra metade da frase, no resultado. E o mesmo vale para o would na Second Conditional.
- Errado: If it will rain, I will stay home. → Certo: If it rains, I will stay home.
- Errado: If I would have money, I would travel. → Certo: If I had money, I would travel.
Teste rápido
Sem olhar as seções acima: descubra em qual degrau da régua está cada frase.
1. Complete: If you ___ (not/water) plants, they die. ver resposta
don't water — fato geral, Zero Conditional: os dois lados ficam no presente.
2. Escolha a forma: If I ___ (am / were) you, I would accept the offer. ver resposta
were — hipótese irreal usa passado, e com o verbo to be o were vale para todas as pessoas: If I were you.
3. Corrija o erro: "If it will snow, the school will close." ver resposta
If it snows, the school will close — o will nunca vem logo depois do if; a condição fica no presente simples.
4. Traduza: "Se ela ligar, eu te aviso." ver resposta
If she calls, I'll let you know — futuro real e possível é First Conditional: presente depois do if, will no resultado.
Resumo
- Zero: if + presente, presente — fatos e hábitos (dica: dá para trocar o if por when).
- First: if + presente, will — futuro real: planos, promessas e avisos.
- Second: if + passado, would — hipótese irreal; If I were you para dar conselho.
- O will (e o would) nunca vêm logo depois do if.
- Hipótese sobre o passado é com a Third Conditional.