Leia estas três frases: My bike was stolen. The meeting has been moved to Friday. This office is cleaned every night. Nenhuma delas conta quem fez a ação — e nenhuma precisa. Essa é a voz passiva: o holofote sai de quem faz e ilumina quem recebe a ação. Você já usa isso o dia inteiro em português sem perceber: "minha conta foi hackeada", "a reunião foi remarcada", "o pedido será entregue amanhã".
E aqui vai a boa notícia: como o português tem exatamente a mesma estrutura, a lógica você já domina. O que derruba o brasileiro é a montagem — em que tempo fica o To Be, o que acontece com o verbo principal, quando vale a pena dizer quem fez. É isso que a gente resolve agora. A fórmula é uma só: To Be + particípio.
O holofote muda de lugar
Na voz ativa, a câmera filma quem age. Na passiva, ela vira para quem sofreu a ação. A informação é quase a mesma; o que muda é o que você quer destacar. Numa aula sobre Shakespeare, a primeira frase abaixo é a natural. Num texto sobre a peça, a segunda.
A transformação passo a passo
Pegue qualquer frase ativa que tenha objeto e aplique três movimentos, sempre na mesma ordem:
A cirurgia completa:
Ativa: The chef prepared the dish. (O chef preparou o prato.)
Passiva: The dish was prepared by the chef. (O prato foi preparado pelo chef.)
Funciona em qualquer tempo. They are painting the house (estão pintando a casa) vira The house is being painted (a casa está sendo pintada): o continuous do original continua continuous, só que agora no To Be — e painting vira o particípio painted.
Só o To Be viaja no tempo
O particípio é a parte teimosa da fórmula: made, built, done, sold — ele nunca muda. Quem carrega o tempo da frase é o To Be. Olhe a mesma engrenagem girando em seis tempos:
Se o has been ainda soa esquisito, vale revisitar o Present Perfect — na passiva, ele só ganha um been no meio. O mesmo vale para os modais: qualquer um deles aceita be + particípio logo em seguida (can be seen, should be told, must be signed).
O by: quando vale a pena dizer quem fez
A maioria das frases passivas não revela o autor — e é justamente essa a graça. Você escolhe a passiva quando quem fez não se sabe (My bike was stolen — não faço ideia de quem roubou), quando é óbvio (The thief was arrested — pela polícia, claro) ou quando simplesmente não importa (English is spoken here).
O by entra em cena quando o autor é a informação que interessa: This play was written by Shakespeare. Ali, Shakespeare é a notícia. A régua é simples: se o "by..." não acrescenta nada, corte.
Um atalho para brasileiro: aquele "se" impessoal do português — "fala-se inglês", "serve-se café da manhã até as 10h" — quase sempre vira passiva em inglês: English is spoken here. Breakfast is served until 10.
A arte de não apontar o dedo
No trabalho, a passiva tem um talento diplomático que os nativos exploram o tempo todo. Compare: "You didn't pay the invoice" soa acusação; The invoice hasn't been paid yet (a fatura ainda não foi paga) constata o mesmo problema sem apontar culpado. Políticos americanos levaram isso ao extremo com o famoso mistakes were made — "erros foram cometidos". Por quem? Aparentemente, por ninguém.
E quando você contrata alguém para fazer algo — "mandei consertar o carro" — o inglês usa um primo próximo da passiva, o causative: I had my car repaired. O particípio é o mesmo; muda só quem está no comando da história.
A pegadinha brasileira
Dois tropeços, ambos herdados do português. O primeiro é engolir o To Be: como "a casa construída em 1990" funciona como frase em português, o brasileiro escreve "the house built in 1990" — que em inglês não é frase, é um pedaço de frase. O segundo é o verbo nascer: em português ele é ativo (eu nasci), mas em inglês nascer é algo que acontece com você — sempre passiva, to be born.
- Errado: The house built in 1990. → Certo: The house was built in 1990.
- Errado: I born in 1995. / I borned in 1995. → Certo: I was born in 1995.
Teste rápido
Sem subir a página: monte a passiva certa em cada situação.
1. Complete: This church ___ (build) in 1750. ver resposta
was built — o marco no passado pede To Be no passado + particípio: This church was built in 1750.
2. Corrija: My wallet stolen on the bus yesterday. ver resposta
My wallet was stolen on the bus yesterday — o particípio sozinho não forma frase; o To Be nunca pode sumir.
3. Traduza: "Nasci em 1998." ver resposta
I was born in 1998 — nascer em inglês é sempre passiva; "I born" não existe.
4. Escolha: The road (is repairing / is being repaired) this week. ver resposta
is being repaired — a estrada não conserta nada; ela é consertada. Passiva no continuous é is being + particípio.
Resumo
- Fórmula única: To Be no tempo certo + particípio. Só o To Be viaja no tempo; o particípio fica firme.
- Transformação em três passos: objeto vira sujeito → To Be no tempo do verbo original → verbo vira particípio.
- O agente é opcional: use by só quando quem fez é a informação que interessa.
- O "se" impessoal do português (fala-se, serve-se) costuma virar passiva em inglês.
- Nascer é passivo em inglês: I was born, nunca "I born".